Descrever o início da noite
Deito em plena escuridão noturna com um abajur demodê referencia
no design da década de 80. A luz da parafina derretendo no interior do vidro
aquecido preenche suavemente o quarto equilateral aonde se encontram um
guarda-roupa de boa madeira embutido, a cama de colchão reconfortante coberta
por lençóis aconchegantes, ainda existe no meio da penumbra uma mesa de vidro
minimalista que apoia um aquário um pouco sujo com peixes japoneses bem
criados.
Numa das paredes frias encontrasse singularmente uma
cobertura vermelha intensa, diferentemente das outras , rabiscadas com técnicas
de grafite e pastel oleoso, aonde figuras visivelmente imploram ao seu artista
para serem concluídas com esmero.
A realidade da madrugada invade a janela envidraçada e fechada
com a luz branca do satélite orbital. As cores se misturam através das
silhuetas dos móveis estáticos, as suas respectivas sombras vão andando lentamente
com o passar das horas até que sumam com o amanhecer discreto do dia que raia
fora do cômodo.
(BRUNA MOURY)
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